sábado, 12 de dezembro de 2020

Viragem (Virada ou Viração)...
... mas, sem piração
... e, construindo a Primeira Roda

Uma nova etapa sempre é excitante e cheia de expectativas... 

Projetei as Rodas para a Viragem do Casco baseada nas observações do vídeo da Viragem do Veleiro Caprichoso e nas considerações da física estática e dinâmica (aprendizados de longa data).

Fiz o projeto das Rodas, validei o posicionamento delas nas Seções 4.0 e 7.5 com o Luis Gouveia da Roberto Barros Yacht Design e avaliei todos os detalhes construtivos no SketchUP... e, no software ficou fácil de construir, montar e fazer a Viragem. 

posicionamento das rodas para viragem

rodas nas seções 4.0 e 7.5
(seções estruturais)

um sonho!!!


Vamos ver quando for de verdade... lembrando que essa Roda terá 4.800 mm de diâmetro.

São 16 partes, cada uma delas perfazendo 1/8 da circunferência. Essas partes terão 1.850 mm de comprimento, 200 mm de largura (algumas pranchas vieram com dimensões maiores e as deixei na largura original) e 40 mm de espessura. 

Decidi construir em Marupá (Caxeta) que é uma madeira gostosa de trabalhar, não empena quando bem seca... e, também planeja aproveita-la na estrutura da Marcenaria interna.

Etapas do Processo:

- desengrosso das pranchas e corte no comprimento de 1.850 mm: as rodas são formadas com 8 segmentos (octógano) e em camada dupla, intercalando os segmentos para dar maior estabilidade e resistência. 

Portanto, cada roda terá 16 segmentos nesse comprimento. Essa etapa de desengrossa-las garante a espessura de 40 mm para cada uma desses segmentos.
 
pranchas no desengrosso
espessura de 40 mm

pracha desengrossada
comprimento de 850 mm

- desenho da curva e execução do gabarito: mais uma aventura e algumas improvisações para conseguir fazer a curva corretamente. 

Fixei a trena e fiz o traçado no raio adequado (2.400 mm). Conferi as medidas obtidas com as dimensões do projeto... e, aprovadas! Fiz o desenho do gabarito em MDF de 6 mm para servir de guia na execução das curvas. 

Gabarito com metade da curva, que foi rebatido, assim minimizei os eventuais erros de desenho e fabricação das curvas nos 16 segmentos.

Ideal teria sido utilizar uma fresa com comprimento superior aos 40 mm de espessura, mas são fresas caras e eu tinha uma de 30 mílimetros... trabalho dobrado, mas deu tudo certo.

traçando raio de 2.400 mm

ajustando centro do raio na trena

curva traçada (1/8 do círculo total)
a roda será um octógano

- fresagem da curva com tupia e gabarito: na execução do gabarito aproveitei e defini também o posicionamento dos 5 furos para os parafusos de fixação. 

Com isso, fiz as duas operações (fresagem da curva com a tupia e os pré-furos para fixação dos segmentos) simultâneamente em cada metade do segmento e em cada lado da prancha (por conta da fresa mais curta).

desenho da curva e pontos de fixação
gabarito para tupia

gabarito pronto e posicionado na prancha

segmentos fresados com tupia

- furação e montagem das partes (4 peças): utilizei broca de 10 mm para terminar a furação de fixação dos segmentos. 

Cada segmento foi fixado com 5 parafusos (fusos cortados na oficina e reaproveitados das fixações das balizas no picadeiro) de 10 mm com arruelas e porcas de cada um dos lados.

início da montagem

1/4 da roda montada com 4 segmentos

detalhe da fixação
(parafusos fabricados na oficina)

vista de 1/4 da roda montada

2 partes de 1/4 da roda

4 partes de 1/4 da roda


- montagem final na posição de viragem do casco: a montagem da roda no local da Seção 4.0 foi a maior aventura... fui montando os segmentos 2 a 2.

Após cada fixação, deslocava a parte montada (sequência nas fotos abaixo) para um dos lados.

A aventura foi quando estava com 3/4 da roda montada. Ela ficou muito instável, pois estava sem nenhum apoio lateral.

Nessa hora, o amigo certo chegou na hora certa e me deu a mão necessária para fixarmos os dois últimos conjuntos de 1/8 da roda.

Primeira Roda montada! 

1/4 da roda posicionao na seção 4.0

metade da roda montada

ripas ajudando no equilíbrio da roda

3/4 da roda mondada... 
... ficou instável e meu amigo chegou na hora!

valeu Ton pela ajuda!
amigo certo na hora certa...

primeira roda montada
vista da proa

roda montada
vista de boreste

vista de bombordo

subindo no casco
vista da popa


Essa etapa foi adiantada, estava curioso (pra não dizer ansioso) pra ver se daria certo construir e montar uma Roda nessas dimensões... e, garantir que o projeto dos mancais e rodízios sejam construídos nas medidas exatas que preciso.

... mas, agora tenho que voltar ao processo de lixamento interno (lixar, calafetar, lixar, resinar a primeira demão). Serão semanas de trabalho.

... ah! e, ainda tenho que acabar o externo do casco com lixamento da fibra de vidro, masseamento (massa de acabamento). 

A Viragem do Casco será no ano que vem... fiquei frustrado, pois estava torcendo pra conseguir fazer isso antes da chegada do novo ano. Me fizeram falta as 8 semanas que estive de molho por conta das cirurgias das cataratas.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Afagamento das Cavernas...
... quase uma série com vários episódios

Ao longo do ano, idas e vindas entre Cavernas...

Não é uma etapa fácil, além de trabalhosa, cansativa por conta da posição (sempre sobre alguma escada), artesã por natureza e com milímetros de sobrematerial com suas inclinações e nuances em cada altura.

Trabalhei em várias alturas, iniciando pelas Trincanizes, que servem sempre como referência de curvatura a ser seguida.

Dividi o perímetro da Caverna em medidas espaçadas em 300 mm... com isso, fui ajustando com uma régua de 13 metros que simula um Strip e buscando encontrar o melhor ponto do afagamento de cada uma das Cavernas, nunca me esquecendo que elas também precisam estar homogeneizadas entre si.

réguas simulando o strip para controle do afagamento

posicionamento a 300 mm da régua a boreste
(vista para a popa)

posicionamento a 300 mm da régua a boreste
(vista para a proa)

anotações dos desbastes e ajustes necessários

réguas posicionadas a 300 mm

As Cavernas próximas à Proa são as mais curtas, depois as próximas à Popa e as mais longas estão próximas à Boca do Veleiro, que é a maior largura transversal do Casco.


cavernas próximas à proa são mais curtas

vista das cavernas a partir da popa para a proa
(no centro as cavernas são maiores)

Fiz isso em quase todos os meses... é um trabalho cansativo e para não trabalhar cansativo e fazer bobagens, cometendo erros banais e que custam muito arrumá-los, fui intercalando essa etapa com outras ao longo do ano (fiz também a Sobrequilha, a Roda de Proa, Impermeabilizei as Trincanizes, os Encaixes nas Trincanizes para suportar a Roda de Proa, Afagamento da Sobrequilha e centenas de metros de Strips).

marcações dos milímetros a serem desbastados

marcações dos milímetros a serem desbastados

Mês passado terminei de afagar as 24 Seções do lado de Boreste, lembrando que a menor tem 1.600 mm e a maior quase 3.500 mm. Trabalhinho duro de terminar... sempre que examino o trabalho feito, parece que há um novo ajustezinho para ser feito.

régua posicionada a 1.800 mm
(é a 6a.etapa do afagamento a boreste)

minha academia, subidas e descidas incontáveis...

posicionamento da régua

revisão dos ajustes a 1.800 mm
(sempre a partir da trincaniz, que é a referência)

Bom saber, que estou quase terminando e não vejo a hora de começar a fixar os Strips... são quase 3.000 metros de comprimento de ripas nas dimensões 35 mm x 22 mm, abauladas com as formas geométricas côncava e convexa para garantir uma boa curvatura do costado.

Assim, ao postar este registro ainda faltam 1 ou 2 semanas de trabalho para fazer os últimos ajustes no afagamento de algumas Cavernas do lado Bombordo.

Tô quase lá... 

mas, o ano acabou!

Um ano 2020 muito bom para todos que acompanham os registros do Veleiro Gabí... 

E, com muita vontade para construir e executar muitas etapas no próximo ano (fechamento com Strips, fibra de vidro, pintura e a grande VIRADA do Casco).


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Sol e Chuva durante quase 4 anos
... lá se foi o teto do Estaleiro

... acidentes de percurso!

Não esperava por isso... mas, aconteceu! 

O teto da Estufa (meu Estaleiro Amador) rasgou numa manhã enquanto trabalhava e o céu estava escuro prometendo que a chuva seria muito forte.

Ouvi um estalo e vi o toldo se abrindo acima da Proa e em poucos minutos já estava no meio do barco... corri, tentei reduzir os estragos com fitas adesivas que seguraram o rasgo.


um susto... estalo e o teto se abrindo...

estrago feito!

Cobri como pude o casco com lonas plásticas que tinha, esperando que as chuvas não fossem com muito vento.


vista do toldo do estaleiro 60ies

cobertura provisória com lonas plásticas

às vezes o cobertor é curto...

Infelizmente, ao ligar para o fornecedor uma triste notícia... estavam sem agendas, precisaria esparar 4 semanas para que pudessem fazer a manutenção necessária... além do gasto não previsto com essa manutenção.


C'est la vie!


... quem está na chuva, se molha!


Enquanto esperava e aproveitando uma boa ideia que a Rafaela (namorada do Davi) sugeriu... fiz um "remendo paliativo" que permitiu continuar trabalhando no afagamento das Cavernas. Valeu Rafinha!


boas ideias ajudam muito...
valeu Rafinha!

soluções paliativas

Finalmente, manutenção realizada pela Empresa Tropical Estufas de Bragança Paulista, depois de driblar várias chuvas ao longo de intermináveis QUATRO semanas.



toldo retirado
e ajustes para colocação de um novo toldo

dia de sol... isso foi um bom presente!

trabalho árduo... e a chuva se aproximando

colocação das telas

estendendo o novo toldo (teto)

detalhe da fixação da lona plástica

ajustes na cortina frontal

cortina dos fundos colocada

E, a chuva só veio à noite!